Entrevista a Miss B

Como foi sair do armário em dose dupla – mostrares a cara, dizeres que escreves textos eróticos baseados na tua experiência sexual e dizeres que és bissexual?

Uma autêntica aventura ! Em parte porque já suspeitava do risco e do impacto que isto ia causar, principalmente porque foram demasiadas coisas a acontecerem ao mesmo tempo.
Foi fácil?

Fácil não Foi…digamos…divertido ver a reacção.

Que reacções tens recebido devido a tudo isso? Têm-te dado força pela coragem de teres tirado a máscara, teres-te assumido (de teres dado a cara)?

As pessoas que têm a coragem de falar directamente comigo dão-me os parabéns pelos “tomates” que tive. Apoiam-me e vão-me dando força.

Foi fácil o processo de mentalização que serias capaz de tomar essa opção, estares pronta para receber qualquer tipo de crítica ou qualquer tipo de reacção, até as menos positivas – tendo em conta o que dizes de estares numa terra onde se vive muito o preconceito?
Fácil não foi. Mas não foi um processo lento. Só me importava a opinião dos meus pais e amigos mais chegados. Como eles têm estado sempre do meu lado, é mais fácil para mim lidar com isto.
 
A ida ao ‘Prova Oral’ (Programa de rádio na Antena 3 do Fernando Alvim e Xana Alves), com a apresentação e Prefácio do Fernando Alvim, serviu como uma grande rampa de lançamento para o teu livro?

Imenso! A curiosidade do público aumentou e com ela as visitas, as vendas…os e-mails.

Também já cativaste homens por dizeres que tens namorada ou amiga colorida?
Sim sim…sem dúvida. Sabemos perfeitamente o que vai na mente dos homens quando se fala nisso…

Quais são os teus sonhos e objectivos?
Ter finalmente uma vida estável e sossegada. Ter a minha casinha, o meu marido, os meus filhos.

Hoje sentes que foi uma grande opção teres decidido começar a escrever textos eróticos seguindo o repto do teu público leitor?
Sem dúvida. Alcancei algo que nunca pensei alcançar: reconhecimento. Por muito cruéis que certas críticas sejam, só servem para eu me aperceber do quanto a minha escrita mexe. Causar alvoroço pode ser bom.

Acreditas que o desafio que o César te fez foi um bom desafio e também importante para ti?
Foi. Ele sempre achou (muito mais do que eu) que poderia fazer algo diferente. Que a minha escrita devia ser lida por toda a gente e não só na blogosfera mas fora dela. Foi importante para mim ele acreditar e eu própria ter arriscado tanto. Foi um objectivo alcançado.

A edição do livro foi um grande marco na tua vida?
O maior de todos. Deu imenso trabalho e, sinceramente, já estava a desistir da ideia do livro sair.

O que é que sexo significa para ti?
É como a confiança, é a base. A chama. Tudo gira á volta dele, uma relação não funciona por completo sem a parte carnal. É, no geral, a cura para grande parte dos males.

Tens ideia se influenciaste alguém pela tua coragem em editares o livro e enfrentares o preconceito?
Se influenciei alguém não sei. As pessoas que são como eu e me contactam, dizem apenas que tornei o tema tão natural que parece tão fácil. Mas nem todos esses que admiram o feito têm a coragem suficiente para fazer o mesmo. Existe sempre o medo.

Acreditas que um dia possas vir a ser escritora a tempo inteiro?
Não me importava. Se isso servir para pagar as contas! Lol mas sempre tive fascínio pela escrita. E por temas que podem traumatizar.

Consideras que há menos preconceito com a homossexualidade, bissexualidade e lgbt em Portugal?
Sinceramente? Não! Há pessoas que dizem que sim, que não são contra mas apenas o dizem porque está a acontecer com a vizinha ou o primo afastado. Quando acontece com alguém muito mais próximo as coisas tornam-se diferentes.

És a favor do machismo e/ou do feminismo?
Para ser sincera, um pouco dos dois. Um homem quer-se másculo o suficiente e uma mulher quer-se bem feminina e com personalidade.

Porque é que acreditas ou pensas que não devias ter aproveitado a oportunidade com a rapariga/mulher?
Isso na altura tinha medo. Desconhecia as coisas. Envolvi-me por puro divertimento, curiosidade. Mas sempre com medo.

Não te sentes feliz como bissexual?
Feliz…não vou dizer feliz. Vou apenas dizer que sinto orgulho em viver uma situação pouco natural mas lidar bem com ela.

Para quando um novo livro?
Não sei. Provavelmente quando estes venderem todos…loool

Tendo em conta que publicaste recentemente um livro com histórias eróticas, que retrata a tua sexualidade, acreditas que vais conseguir quebrar alguma barreira, algum preconceito?
Eu sinceramente gostava mas é um trabalho muito complicado mudar a mentalidade de certas pessoas.

Como escreveste aquelas histórias baseadas na tua própria experiência, foste um alvo fácil para te apontarem o dedo, e dizerem coisas como “olha aquela é uma puta, fodeu com todos”? Se sim, é algo que te deixa triste e a pensar em que forma é que se pode combater esta mentalidade, este preconceito e esta mania de se meterem na vida dos outros?
Isso sem dúvida! O sexo feminino está sempre sujeito a esse tipo de críticas. E eu mais do que ninguém. Expus-me demasiado, se antes era alvo desse tipo de comentários e não me viam a fazer nada de mal, então agora mais gozo dou a essas mesmas pessoas. É claro que me deixa triste as pessoas acharem que o facto de lidar com o sexo ou praticá-lo com total descontracção é muito mau. Incomodam-se com coisas tão triviais como isso.

Na tua opinião, a sexualidade tem evoluído? Se não, o que falta? O que é que é preciso fazer mais para combater mitos e preconceitos?
Evoluído…não, não acho. E isso viu-se quando o livro saiu. As pessoas ainda temem certos actos, certas situações. Têm de perder o medo e pararem com a ideia de que é errado só porque não vem escrito na Bíblia nem nos foi ensinado. As pessoas têm de parar de pensar na opinião de não sei quem e ao menos uma vez na vida explorarem o sexo sem rodeios.

Depois de publicado o livro já recebeste alguma proposta? Se sim, qual ou quais e se  foram decentes ou indecentes?

Propostas recebo muitas. Já antes do livro sair eu recebia. Não considero nenhuma indecente porque para mim é tudo natural. Já tive pessoas dispostas a pagarem só para passarem um bom bocado comigo. Casais a pedirem para me envolver com eles…

Já conseguiste concretizar o teu desejo de foderes em cima do capot do carro a chover?
Nãaaa…nem toda a gente fica indiferente à chuva como eu.

Não organizaste a “Fuck Fest” mas gostaste que te “tivessem empurrado para a festa”, não?
Gostei do facto de se terem lembrado de mim. Gostei ainda mais do facto de não só me terem empurrado como se terem lembrado de escolher os homens mais atraentes e os  terem avisado para usar o fato. Adoro homens de fato!

Organizarias uma festa dessas?
Claro que sim! E acredito que não faltaria ninguém.

O que é que mudou desde que editaste o livro e foste entrevistada na rádio?
Tudo! O anonimato, as pessoas, a minha vida social. As visitas ao meu blog aumentaram muito mais e o interesse das pessoas que até já conselhos me pedem.

Que projectos tens para o futuro?
Quem sabe lançar o próximo livro erótico. Fazer da Miss B a maior escritora erótica de Portugal. Tornar tudo muito mais sensual.

Que objectivos tinhas para o livro? E hoje que objectivos tens para o livro?
Sinceramente a minha ideia era mesmo chocar. Consegui. Neste momento quero publicitá-lo mais e ver se encontro uma editora decente.

Vais fazer algum trabalho relacionado com o sexo no futuro?
Quem sabe…está no segredo dos deuses.

Pensas que os textos algum dia passarão a filme? Ou estão muito bem como estão?

Eu gostava que dessem origem a um filme extremamente sensual. Nada pornográfico mas sim com uma lição a tirar.

Obrigado pelo seu tempo, votos de bom trabalho.

Projecto Génesis Pelo Prazer

Entrevista por: Pedro Marques
Correcção por: Sílvia Dias

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