Entrevista à Hopeful – Suicidegirls – Eleanora

Que expectativas é que tinhas para quando fosses aceite como hopeful? Era o que esperavas da sessão?

Sinceramente, não tinha necessariamente grandes expectativas, inscrevi-me pela experiência e pelo gosto que tenho em fotografia, no expoente máximo, queria fazer algo que outras pessoas pudessem apreciar tanto quanto eu.

Como é que surgiu o gosto pelas suicide girls? E a vontade de te inscreveres como modelo?

Conheci as Suicide Girls pela internet, provavelmente enquanto navegava à procura de referências visuais e inspiração para desenhar. A vontade surgiu já à uns anos, pois já tinha feito trabalhos dentro do mesmo género (nu/nu erótico) e gostei imenso da experiência.

Foi fácil exibires-te?

Sim, já o tinha feito, só nunca o tinha feito com o intuito de, posteriormente, ser visto por – talvez – milhares de pessoas.

Este trabalho como hopeful serviu para veres o corpo e a sexualidade/erotismo de outra forma?

Não necessariamente, talvez tenha servido apenas para fortalecer as ideias e ideais que já tenho acerca do tema. O expor o corpo e a sexualidade não tem que significar libertinagem ou promiscuidade.

Foi importante mostrares que é algo natural e saudável?

Para mim foi extremamente positivo, fi-lo por gosto, obviamente, mas também para uma maior aceitação de mim mesma, e do meu corpo. Todos temos um corpo; por baixo da roupa e das máscaras, somos todos iguais. As pessoas deviam lembrar-se mais disso, e menos de censurar quem opta por mostrá-lo.

A relação que muitas pessoas têm com o nú artístico, a sexualidade, o erotismo, é algo depreciativo Que gostarias de mudar, e de trabalhar no sentido de alterar essas mentalidades?

Penso que, infelizmente, a sociedade está cheia de hipócritas e falsos púdicos/as. Penso que, apenas eu, não farei grande diferença acerca desse assunto, no entanto, por um lado, se o assunto continuar a ser falado e discutido, penso que mais facilmente as pessoas aceitam quem escolhe fazer algo relacionado com essa área, sem serem vistas de uma forma depreciativa. Felizmente até agora, tenho tido muito mais pessoas a apreciar o meu trabalho do que a fazer comentários infelizes.

Antes da sessão das suicide girls já tinhas feito uma sessão de nú artístico. Como é que aconteceu essa vontade de mostrares a tua beleza, sensualidade e o erotismo através da fotografia?

Nunca o fiz com o intuito de mostrar ou provar nada a ninguém, que não a mim. Fi-lo, como disse acima, por mais que qualquer outra razão, fiz pelo gosto que tenho à fotografia (de nu em particular), e para uma maior aceitação do meu corpo, pela exploração da minha expressão corporal (sensual ou não). Tem-me ajudado muito em termos de auto-estima, e no final, fico com um registo meu, pela lente de bons fotógrafos, com um resultado bastante bonito, a meu ver.

Que projectos se seguirão de fotografia? De ilustrações e textos?

Estou sempre aberta a novos projectos, fotográficos ou não, se achar benéficos para mim e se tiver disponibilidade.

No teu blogue, em 2011, publicaste umas belíssimas pinturas em tinta-da-china. Esta apetência para as artes quando começou? Quando é que fazes um livro com essas magníficas obras?

Fico muito contente pelo elogio, desde já. Eu desenho desde criança e desde muito cedo que fui desenvolvendo as minhas capacidades nesse sentido. Sempre fui muito incentivada, especialmente pelos meus pais e professores, para continuar a explorar essa área. A tinta-da-china foi uma paixão que ganhei com o meu professor de Desenho, durante o Ensino Secundário, e que ainda hoje considero a técnica onde me consigo expressar melhor. Quanto a publicar um livro… Não direi tanto, mas talvez uma exposição, um dia, quem sabe.

Publicaste também uns pensamentos, uns escritos, como é que te surgiu a inspiração? É essencial para ti dizeres o que te vai na alma, e transmitires os teus pensamentos?

A escrita, tal como o desenho/pintura, são uma extensão de mim. Não consigo manter emoções “presas” dentro de mim, tenho que as trazer para o mundo, quer seja só para minha apreciação ou não, preciso de as expressar. A escrita foi surgindo ao longo dos anos, pelo amor que tenho à poesia, e à prosa poética; também queria escrever coisas, bonitas ou feias, não me interessava muito, queria apenas expressá-las.

A tua ambição na escrita passa porque caminhos? Escrever letras para alguma banda seria algo que passaria pelos teus objectivos?

Nunca ambicionei nada em particular para a escrita, sempre a vi apenas como uma libertação. Penso que se alguma vez fizer algo com os meus textos, será para acompanhar uma imagem, seja essa fotografia ou desenho (numa exposição, por exemplo). Quanto a escrever letras para alguma banda… Até podia ser um desafio interessante!

Trabalhas maquilhagens para sessões fotográficas, com quem gostarias de trabalhar?

Esta pergunta talvez seja a mais complicada de todas… Tenho muitos profissionais que admiro, tanto internacionalmente como a nível nacional. Acho que nem consigo enumerar. Uma das minhas paixões platónicas é a modelo Freja Beha Erichsen, seria um sonho alguma vez vê-la ao vivo, quanto mais trabalhar com ela!

Quais são os teus sonhos para o futuro?

Os meus sonhos passam por construir uma marca que se baseie no design sustentável e ecológico, com uma estética alternativa e andrógena. É nesse sentido que tenho vindo a trabalhar , visto que frequento o curso de Design de Moda. No entanto, não quero ficar por aí, quero aprender com outros profissionais na área, investigar mais, viver além fronteiras, explorar o mundo.

Obrigado pelo teu tempo, votos de bom trabalho.

Projecto Génesis Pelo Prazer
Entrevista: Pedro Marques
Correcção: B.T.

20 de Outubro de 2014

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