Entrevista a Erika Lust

Como começaste a trabalhar nesta área?
Uau, esta será uma história longa e indirecta. Enquanto estudava Ciência Política na universidade, focando-me no feminismo, descobri a escrita de Linda Williams. Os seus livros ‘Hard Core’ e ‘Porn Studies’ foram uma influência gigantesca na maneira como eu vejo a pornografia e o erotismo, e como esses temas poderiam ser considerados algo grande juntamente com o lado positivo do sexo no feminismo. Depois de me licenciar e de me mudar para Barcelona, comecei a fazer trabalhos algo estranhos para casas de produção, onde eu comecei a fazer uma pequena ideia do que era necessário para se realizar um filme. Foi então esta experiência prática que me levou a ter aulas de direcção para que eu conseguisse realizar os meus próprios filmes. Eu fiquei cansada de esperar que o cinema ‘adulto’ reflectisse os meus valores e a minha sexualidade, portanto tomei eu a iniciativa! Quando o meu primeiro filme “The Good Girl” foi descarregado mais de um milhão de vezes pouco tempo depois de ter sido lançado, foi quando eu pensei seriamente em criar um nome para mim e entrar na indústria a sério.

Quais são as tuas influências?
Eu inspiro-me em variadas coisas – sítios e locais fantásticos, filmes de Hollyodescos, literatura erótica, as histórias dos meus amigos.
Foi fácil entrares nesta indústria?
Nem por isso – foi mais fácil para mim tomar a decisão de entrar na indústria do que realmente o fazer. Eu tive a sorte do meu trabalho ser algo bastante diferente e único numa indústria bastante grande e saturada – o que me levou a um contracto com uma productora para fazer o meu primeiro filme de longa metragem, do qual os lucros me ajudaram a criar e fundar a minha própria productora “Erika Lusts Films”. Eu senti que isto foi necessário principalmente porque na mente de todos, o porno é mais um ‘Clube de Rapazes’, dominado pelo sexo masculino.

Em geral, qual é a reacção do público? És bem aceite?
Eu digo com muito agrado que sou muito bem aceite! Eu recebo regularmente comentários óptimos por parte de fãs, tanto mulheres como homens, algo que me alegra logo o dia. Muitas pessoas, espectadores e jornalistas, comentam que nunca imaginavam que filmes como os meus pudessem sequer existir na indústria adulta, algo que está irrevogavelmente associado a uma variedade de imagens de má qualidade e emoções.
Quem acaba por ver mais o teu trabalho: homens ou mulheres?
Por norma são mais mulheres, e depois casais. Dito isto, o número de homens que vêem os meus filmes é surpreendente – muito maior do que o que eu esperava!

Que tipo de opiniões e críticas recebes sobre o teu trabalho? Causas discussões com os teus filmes?
Eu recebo imensas críticas e causo imensas discussões, provávelmente porque o que faço é tão novo. Os media e indivíduos associados ao porno em geral conseguem ser hóstis, provávelmente ofendidos pela minha nova visão e opinião de como eles retractam a sexualidade, e o meu desejo que o meu trabalho seja sempre diferente. Encontrei toneladas de apoio do resto da comunidade da indústria independente, onde as mentes e criatividade tendem a ser mais ‘abertas’ e aplaudidas.
Hoje em dia, como todo o teu trabalho a expandir, é difícil para ti encontrares novos actores?
Certamente – toma em exemplo o meu mais recente filme. Após ter aberto a audição para incluir pessoas que nunca tiveram este tipo de experiência, eu tive uma montanha de candidaturas de fãs que nunca antes pensaram em entrar neste tipo de indústria até terem visto o meu trabalho. Mais, a publicidade espalha-se fácilmente, e já começo a receber candidaturas de actores vindos de todo o mundo, e não só de Espanha ou dos seus países vizinhos.
Trabalhas com modelos alternativos – tatuagens, piercings, etc. – propositadamente?
A audição depende completamente da personagem para mim – portanto por vezes eu quero pessoas com piercings e tatuagens e cabelos fixes, e às vezes eu opto por um visual completamente natural com o mínimo de arte no corpo. Porém isso não é um problema pois os meus filmes são acerca de histórias urbanas e modernas, e a “body-art” é uma grande parte da nossa cultura de hoje em dia.
Foi fácil encontrares os músicos certos para compôr as bandas sonoras para os filmes?
Sim e não – porque eu costumo escolher artistas indie, principalmente artistas locais, que fazem músicas excelentes e nunca antes tinham sido reconhecidos. Contudo, por vezes é difícil encontrar quem faça músicas que se sincronize com o ambiente do filme. Nós recebemos e-mails frequentes pedindo-nos informação acerca das bandas sonoras depois de terem visto os filmes!
Como conseguiste achar os locais e cenários certos para os filmes?
Eu sou uma sortuda pelo facto de morar numa das mais belas cidades da Europa – Barcelona tem locais exteriores lindíssimos, monumentos e parques, e está constantemente sol. Arranjar apartamentos, restaurantes e outros locais assim pode ser difícil, mas são mais convenientes em termos de ajustes, luz e amenidades. Eu confio plenamente na paisagem urbana que Barcelona nos dá para as minhas histórias, pois são perfeitas para as filmagens.

Achas que ainda há um longo caminho a percorrer para tornar o porno indie ainda melhor?
Eu acho que ainda há muito trabalho a ser feito para o dar mais a conhecer e talvez conseguir que seja um pouco mais variado, mas estas coisas estão dependentes na exposição e inclusão de novos artistas. Eu pessoalmente acho que o porno indie já está muito melhor do que o resto que há por aí em muitos níveis!
Tendo em conta a vasta lista de actores e actrizes porno internacionais que existe, existe algum/a em especial com quem gostarias de trabalhar?
Eu tenho entrado em contacto com o actor Americano, bastante querido, doce e simples, James Deen no que toca ao meu próximo filme e possível colaboração noutros projectos, o que seria fantástico!
É possível transmitir a mensagem, no porno, que se deve praticar sexo seguro?
Na minha opinião a pornografia é um meio incrível no que toca a transmitir mensagens, tanto para o bem como para o mal, e por isso mesmo acho que, certamente, é possível mostrar às pessoas os benefícios de sexo seguro na indústria adulta. Mas, no final de contas, as pessoas é que mandam nos seus corpos (tanto a actuar como a observar) e têm a palavra final sobre o assunto.
Projecto Génesis Pelo Prazer
Corrigido por: Sílvia Dias
Entrevista por: Pedro Marques

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